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Ai Portugal, Portugal ...

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default Ai Portugal, Portugal ...

Mensagem por Jotace em Qui Jan 15, 2009 5:53 pm

Ai Portugal, Portugal ....

... “do que é que tu estás á espera? Tens um pé numa galera, e outro no fundo do mar. Ai Portugal Portugal, enquanto ficares á espera, ninguem te pode ajudar ”. Isto dizia o Jorge Palma, numa canção com mais de 30 anos, parte integrante do album quase pré-histórico “Com uma viagem na palma da mão”, de 1975.
É impressionante como, tendo sido estas palavras publicadas pela primeira vez apenas um ano depois da revolução que prometeu mudar o rumo de um país, e tendo já passado tanto tempo (...perdido), as mesmas continuam tão actuais.
Outra canção, simbolo dessa época, rezava: “Agora, o povo unido nunca mais será vencido, nunca mais será vencido”. Numa irónica brincadeira, eu agora costumo cantar, cá para mim, uma versão quase igual, mas em tudo diferente: “Agora, o povo vencido nunca mais será unido...”.

A crise, sempre a crise. A eterna crise que nos volta a cair em cima cada que vez que parece que quase a curámos, como se de uma gripe renitente se tratasse. Daquelas gripes que não nos largam, que nos fazem cair uma, e outra, e outra vez, até que já não temos forças nem para assoar o nariz. Assim, estamos nós, assim está o nosso país: com uma gripe crónica, prestes a virar pneumonia. Uma das minhas vertentes profissionais ‘obriga-me’ a estar atento ao que se passa por esse mundo, e por este país, no que respeita ao ambiente macro-económico. Não sendo um ‘expert’ na matéria, vou lendo muito da informação objectiva e menos objectiva que nos vai chegando, e tambem os artigos de opinião de algumas pessoas que estão bem mais ‘á frente’ do que eu, nestas coisas. Tenho sido, ao longo dos meus anos de vida de individuo adulto, independente, e consciente das minhas capacidades e competencias, optimista relativamente á prosperidade do meu futuro e da minha familia, e á minha capacidade de fazer do dia de amanhã um dia melhor do que o de ontem, mas ... não consigo deixar de sentir um enorme nó na garganta quando diariamente vou absorvendo a informação económica e financeira que me passa diante dos olhos, e vou-me apercebendo da dimensão da borrasca que temos no horizonte, apesar de o povo em geral até estar, provavelmente, a respirar de alivio pela enganadora acalmia provocada pela descida brutal do preço dos combustiveis, da inflação, e por conseguinte das taxas de juro. Á angustia sufocante do primeiro semestre de 2008, em que o petroleo estava nos píncaros, e o Banco Central Europeu (BCE) ainda tinha tido a ‘lata’ de subir as taxas de juros em meados do ano, seguiu-se a descompressão que actualmente pressinto nas pessoas menos informadas ou mais distraídas. Ainda hoje o BCE desceu os juros em 0.5%, e já oiço suspiros de alivio á minha volta, pelo reflexo acrescido que isso terá nos créditos. E até tenho receio de dizer aos meus amigos e conhecidos aquilo que me vai na alma, esta sensação de que estamos no olho do furacão, durante aquele breve periodo de algumas horas em que tudo parece calmo e que o impacto pior já terá passado. Mas, pelo meu ‘binóculo’, olho para o horizonte e vejo o regresso da tormenta, com redobrada força destruidora, para derrubar de vez aquilo que esta primeira parte da tempestade deixou preso por arames.

Ai Portugal, Portugal... o que aí vem, vai-te deixar de rastos. Como em quase tudo na nossa história recente, nós somos ‘laggers’ ou retardatários em relação ao resto do mundo, e enquanto do outro lado do Atlântico, multinacionais poderosissimas caiem como tordos todos os dias, nós ainda não vimos tombar nenhum gigante (com excepções dos Bancos já conhecidos). A verdade é que não temos muitos gigantes, e provavelmente os governantes tudo farão para os manter de pé, ainda que vacilantes, e descurarão a salvaguarda de quase todos os outros de menor dimensão, promovendo a ruína quase integral do nosso tecido produtivo empresarial, seja na area da industria, seja na dos serviços.

Os ultimos dados, muitos deles ainda não divulgados (até porque não convêm ao Governo) demonstram a verdade nua e crua: o povo deixou de consumir, de comprar. E deixou de o fazer como nunca antes aconteceu na nossa história moderna. Curiosamente até, o povo começou a aforrar, a poupar. Os mais recentes dados estatisticos americanos demonstram que pela primeira vez em décadas, os americanos começam a guardar dinheiro, em vez de o estoirarem todo. Em Portugal começa a haver sinais de estar a acontecer o mesmo (para quem o pode fazer, visto que há muita gente que infelizmente continua a viver no limiar da sobrevivencia).
O mercado imobiliário morreu, as compras de automoveis caiem a pique (com o garboso auxilio do nosso Governo, que criou nos ultimos tempos todo os tipos de leis possiveis para acabar de vez com a resistencia dos empresários do sector), as compras de electrodomesticos e outros bens domésticos foram adiadas ‘sine die’, passou a comprar-se apenas o indispensável. O reflexo disto será, a muito curto prazo, o encerramento massivo de empresas, seja na area do comércio seja na da produção, com despedimentos em massa. O monstro da deflação acabará por emergir. Ninguem comprará coisa nenhuma, sempre á espera que amanhã seja mais barato. E os preços cairão até onde fôr possivel, pois abaixo disso a produção e comercialização deixarão de ser viáveis (lucrativas), e a solução será ... reduzir ou cancelar a produção, numa escalada viciosa de restruturações, falencias e despedimentos, que reduzirão ainda mais o consumo (quem não tem emprego não consome e se não há quem consuma, não vale a pena produzir).

Já nas ultimas décadas tinhamos tratado de arruinar metódica e gradualmente o nosso sector da agricultura e pescas, e ficámos apenas com um país de faz-de-conta, dependente dos serviços e do comércio (muito dele com origem em Espanha), e do Turismo (e agora, com o mundo inteiro em crise...que turismo?), com um muito frágil tecido produtivo. Somos dependentes de todos, e independentes em coisa nenhuma. Maquilhámos, nos ultimos anos, a nossa degradação, com a emigração forçada para Espanha e outros países da Europa. Agora, que tambem eles estão nas lonas, devolvem-nos as dezenas de milhares de portugueses que lá trabalhavam, para engrossar as nossas listas de desempregados, onde se vêm encontrar com os que diáriamente são dispensados das muitas empresas que, ou começam a fechar, ou procurar manter-se á tona a todo o custo, atirando borda fora toda a carga (leia-se ‘funcionários’), que sejam facilmente dispensáveis.
Já nada é seguro, a confiança deixou de existir, os politicos já nós sabiamos que não eram de confiança, agora os Bancos e os seus gestores tambem não são, e depois destas virão outras desilusões que irão destruir o titubeante equilibrio social que ainda se vive. Tenta-se salvar os gigantes, como os Bancos, e as ‘AutoEuropas’ deste país, que são os principais contribuintes para o alindamento das estatisticas de PIBs e défices. Atira-se dinheiro a rodos para pintar, apressadamente, as fachadas de uma nação em ruinas. Façam-se estradas e pontes, aeroportos e TGVs, que assim faz de conta que ainda há quem trabalhe e prospere. Criem-se megalómanos parques de produção de energia solar, em nome da nossa independencia energética, em que cada Kw produzido custa 5 vezes mais do que o seu preço de venda (sim, meus amigos, isto é mesmo verdade, trata-se de produzir a 5 e vender a 1), e amplie-se estupidamente o défice energético. Um dia destes vamos ter todos que pagar tudo isto. Com que dinheiro? Sabe Deus! A torneira da UE já fechou. Resta-nos a fé, as novelas, e o Cristiano Ronaldo para nos fazer esquecer por momentos que o Titanic já tem meia proa afundada. Enquanto a musica tocar, o baile continua. Depois... Question

PS - a coisa que eu mais queria era que tudo isto fosse apenas um acesso infundado de pessimismo, e que eu estivesse redondamente enganado


Última edição por Jotace em Seg Jan 19, 2009 11:54 am, editado 1 vez(es)
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default Re: Ai Portugal, Portugal ...

Mensagem por Jotace em Sab Jan 17, 2009 12:05 am

Nem de propósito...

Este artigo foi publicado hoje. A corrosão começa por dentro, e vai minando a resistencia do navio, embora por fora ele ainda aparente manter condições de navegabilidade. É longo, o texto, mas vale a pena. Sinais dos tempos, que nos fazem pensar...




"Publicado 16 Janeiro 2009

18:00 EmpresasEspecial - carreira e saúde

Até que ponto é que esta crise poderá fazer-nos perder a cabeça?

Diz-se que esta foi uma crise provocada pela voracidade dos resultados. Colapsaram mercados e empresas. Pessoas também. São de betão e de emoções as fundações abaladas. Para evitar ceder, pedem-se ainda mais resultados. Os níveis de ansiedade estão ao rubro. Correremos o risco de ficar esgotados? Os especialistas temem que sim...

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Elisabete de Sá
esa@mediafin.pt


Com um gole de água toma o segundo ansiolítico do dia. Na estação de comboios de Algés, o relógio ainda nem sequer vai nas 9h30. "Eu vou ser capaz". Todos os dias, já lá vão tantos meses, Rui repete a ladainha que, se fosse milagrosa, evitaria aquela sensação de pânico que o congela todas as manhãs, a caminho do emprego. Pela mesma hora, noutra rota da área metropolitana de Lisboa, Susana "arrasta-se" em direcção ao emprego. É quarta-feira e começa a ser indisfarçável a alergia que lhe avermelha a cara à medida que a semana avança.

Rui e Susana trabalham em sectores de actividade distintos. Não se conhecem. Do lado de lá da linha telefónica aproveitam para fazer a catarse possível: já não estão a aguentar tanta pressão. É que se é esta uma crise provocada pela voracidade dos resultados, para sair dela há que conseguir ainda mais resultados. Dizem-se esgotados.

"As pessoas estão muito cansadas. Da incerteza, da mudança constante, de decisões e contra decisões. Cansadas de toda esta pressão fóbica para os resultados", analisa Maria Teresa Roseta. Psicóloga de formação, esta especialista reparte o seu tempo entre o ensino da gestão de recursos humanos no MBA Executivo da escola de negócios da Faculdade de Economia do Porto e a MQI, consultora que criou em 1993 para actuar nas áreas do "training" e "coaching" e que trabalha com empresas multinacionais e nacionais, entre as quais várias cotadas, da indústria à banca.

"Sinto que as pessoas estão atordoadas, sem objectivos. Vejo cada vez mais sinais de tristeza, medo, muita ansiedade e angústia. E, em casos mais graves, ataques de pânico. Já há muitas pré-depressões e depressões por aí, e de forma transversal nas empresas", reforça. Para Teresa Roseta não restam dúvidas: a crise está a alavancar os níveis de stress. Até porque esta é uma crise que vai ter as costas muito largas, acredita a especialista.

Uma crise de nervos

A "dimensão sem precendentes" do actual contexto justificou já um alerta da Organização Mundial de Saúde (OMS), no início de Outubro. "Capital humano saudável é o pilar da produtividade e pode acelerar a recuperação em direcção à estabilidade económica". Uma população saudável e estável é sempre um activo, especialmente em tempos de crise, frisou a OMS.

Poucos dias depois, um relatório do governo britânico, reforçava o alarme: a crise iria afectar a saúde mental do país. A par do stress das famílias provocado pelo endividamento, "as pessoas sentirão insegurança nos seus empregos e sentir-se-ão mais ameaçadas". A agressividade nos locais de trabalho tende a aumentar, aponta o relatório por 400 especialistas convidados pelo executivo do primeiro-ministro Gordon Brown.

No início desse mês, a imprensa internacional tinha feito grande eco da história de Karthick Rajaram, um corretor de Los Angeles com 45 anos, com currículo construído em grandes empresas como a Pricewaterhouse Coopers e a Sony Pictures. Desempregado há vários meses, e após perdas na bolsa que agravaram a situação financeira da família, Rajaram alvejou mortalmente a mulher, os três filhos, e a sogra, suicidando-se de seguida. Uma vítima da crise financeira, escreveram os jornais. Por essa altura, o caso de Rajaram somava-se já às histórias de muitas outras famílias americanas, vítimas de uma crise que começou por estoirar no mercado imobiliário, para se alastrar depois ao mundo financeiro e à economia real.

"Não devemos ficar surpreendidos ou subestimar a turbulência e as possíveis consequências da crise financeira. (...). Não deverá ser uma surpresa se continuarmos a ver surgir mais causas de stress, mais suicídios e mais perturbações mentais", afirmava Margaret Chan, directora da OMS, numa reunião sobre saúde mental que se realizou na Suíça, nesse mesmo mês de Outubro.

Numa outra ponta do mundo, também o Japão, país tradicionalmente com elevadas taxas de suicídio, enviava o alerta. As linhas telefónicas de apoio psicológico começavam a ficar congestionadas.

A dor física do cérebro

À medida que se começaram a mediatizar histórias de suicídio associadas à crise, entidades responsáveis pela área da saúde mental esforçaram-se por refrear os ânimos. É difícil estabelecer uma relação de causa-efeito entre crises económicas e o aumento das taxas de suicídio. "Na verdade, mais de 90% das pessoas que morreram por suicídio tinham uma perturbação latente à altura da sua morte, na sua maioria uma depressão", aponta a American Foundation for Suicide Prevention, a propósito de inúmeros episódios registados nos últimos meses nos EUA, desencadeados por situações de desemprego, dívidas avultadas, e ordens de despejo. As estruturas mais frágeis são as primeiras a ceder, avisa António Coimbra de Matos, psiquiatra e psicanalista.

"A incerteza e a ambiguidade aumentaram significativamente, bem como a influência no nosso quotidiano de factores sobre os quais não temos controlo directo como, por exemplo, a recente subida das taxas de juro. Assim, podemos ter um aumento de situações de perturbação de ansiedade generalizada ou perturbações de pânico. Podemos ainda ter situações de depressão, pois esta pode muitas vezes resultar de uma percepção de que, independentemente do que a pessoa fizer, a sua situação de desconforto ou insatisfação não muda". Ou seja, "não é por trabalhar mais ou melhor que vamos conseguir necessariamente assegurar o nosso emprego, e consequentemente o pagamento da prestação da casa, a escola dos filhos, etc.", analisa Carla Moleiro, psicóloga clínica e professora auxiliar no departamento de psicologia social e das organizações do ISCTE.

Valemos pelo que somos ou pelo que fazemos?

Numa sociedade onde o trabalho é factor importante na identidade e bem-estar das pessoas "por vezes excessivo, pois esquecemo-nos das coisas e pessoas que são verdadeiramente as mais importantes para a nossa vida e felicidade" o stress laboral é traduzido em dores de cabeça, costas e estômago, por vezes vómitos, alergias e ataques de pânico, enumera Carla Moleiro. "O stress continuado, ansiedade e depressão diminuem o nosso sistema imunitário, o que nos torna mais vulneráveis a outro tipo de problemas físicos, desde as gripes e infecções a questões de saúde mais graves", acrescenta.

"Acredito que mais de 80% das doenças que existem na vida das empresas, e que geram absentismo, entre outros problemas, estão ligadas a somatizações", diz Teresa Roseta (ver sinais de alerta).

Para Coimbra de Matos, tudo pode ser resumido ao "sentimento que o indivíduo tem de si próprio". As depressões respondem, em regra, a um de dois tipos: culpa ou desvalorização. Hoje, predominam as últimas. "Desde a infância que se pede às pessoas que sejam eficazes. Valoriza-se mais a eficiência do que valores como a honestidade", detalha. A solução é estarmos menos dependentes do nosso papel social, aconselha.

Vamos repetir com ele: "eu valho por aquilo que sou, não pelo que faço". A auto-estima é a principal fonte de confiança. E sem esta dificilmente conseguiremos olhar para dentro e encontrar em nós a energia que nos ajudará a ultrapassar um mau ciclo. A seguir em frente. Até porque, como sublinha Teresa Roseta, uma crise antecede, em regra, uma fase de desenvolvimento. É a bonança que se segue à tempestade. E "o optimismo faz parte da nossa saúde mental", remata Coimbra de Matos.


(continua)


Última edição por Jotace em Seg Jan 19, 2009 12:04 pm, editado 3 vez(es)
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default Re: Ai Portugal, Portugal ...

Mensagem por Jotace em Sab Jan 17, 2009 12:06 am

(continuação)


A palavra dos especialistas


A incerteza e ambiguidade aumentaram muito, bem como a influência no nosso quotidiano de factores sob os quais não temos controlo directo.
Carla Moleiro - Psicóloga clínica e professora no ISCTE


Sinto as pessoas atordoadas, sem objectivos. É urgente desenvolver competências que as ajudem a sair de um mau ciclo.
Teresa Roseta - Psicóloga, consultora e professora da EGP


Predominam hoje as depressões associadas à ideia de desvalorização. Valoriza-se mais a eficiência do que a personalidade.
António Coimbra de Matos - Psiquiatra, psicanalista e professor


Não deverá haver hoje gestor que seja capaz de dormir muito tranquilo na certeza de que a sua empresa está no caminho certo.
Teresa Roseta - Psicóloga e sócia da MQI


Muitos líderes não estão a ser capazes de comunicar de forma positiva e isso contamina toda a estrutura.
Maria João Martins - Psicóloga e sócia da MyChange


Pânico matinal

"Estou cansado de tentar ir em todas as direcções"

Rui (nome fictício) tem 35 anos e é comercial. O ano de 2008 ficou marcado pela forma como foi forçado a confrontar-se com fragilidades que, em determinado momento, deixou de conseguir controlar. Os sinais manifestavam-se logo pela manhã, sempre minutos antes de sair de casa em direcção ao emprego. O coração disparava, os suores quentes e frios instalavam-se. Tomava o primeiro ansiolítico do dia. Respirava fundo e dirigia-se à estação de Algés onde o pânico não o deixava entrar no comboio. Segundo ansiolítico. A ida para o trabalho transformou-se no seu inferno matinal e, pela primeira vez desde sempre, Rui chegou a faltar por não ser capaz de seguir no comboio até Lisboa. Com a cabeça à roda, saiu a meio e regressou a casa de táxi. Por descargo de consciência, fez vários exames médicos que comprovaram que, no plano físico, tudo estava bem. "À medida que comecei a contar ao médico que os sintomas eram todos os dias à mesma hora, nunca ao fim de semana, percebi claramente o que se passava, mas que me custava admitir", recorda. "Em determinada altura comecei a sentir que não era capaz de fazer o meu trabalho. Com os efeitos da crise a chegarem à empresa, parece que deixou de haver rumo e que nos era pedido para ir em todas as direcções. Comecei a ficar cansado e a achar que estava a falhar", desabafa. Pediu ajuda e vários meses depois, garante sentir-se melhor. "Mas são ainda muitas as manhãs em que pareço ter o coração na boca quando vou em direcção ao trabalho", confessa.


Irritação cutânea

"Sinto-me uma tosta prensada entre as bases e o topo"

Susana (nome fictício) tem 39 anos e trabalha numa consultora. Em meados do ano passado, à medida que o negócio começou a abrandar, a empresa começou a entrar numa espécie de esquizofrenia. Entre o rumo traçado e a prática começou a haver um fosso, explica. "A tentativa para arranjar resultados é de tal forma desesperada que quase vale tudo, mesmo que isso possa comprometer o posicionamento da empresa no mercado", conta. Quadro intermédio, responsável por uma equipa, Susana diz que se sente "ensanduichada", entre o desnorte que lhe é transmitido de cima, e a desorientação e desânimo que recebe de baixo. Em toda a estrutura, "há hoje um clima bastante agressivo que não existia até agora. Uma espécie de enervação que contagia todos", descreve. A meio do ano, as defesas de Susana começaram a ceder. Ganhou uma espécie de alergia cutânea que lhe avermelha a cara e que lhe causa embaraço social, nomeadamente em reuniões com clientes. Os sintomas agravam-se à medida que a semana avança e desaparecem totalmente durante o fim-de-semana. Susana ainda não foi ao médico. Em "80% dos dias", diz, acorda sem vontade de ir trabalhar. "A minha motivação ainda não está em zero, mas anda lá perto". O volume de trabalho nunca a assustou, garante. Não consegue é lidar com a sensação de deriva. "É preciso manter a calma para que possamos encontrar soluções e até oportunidades no actual contexto. Mas no topo, só reconheço uma espécie de desespero", remata.


"A auto-confiança dos decisores está abalada"

A incerteza gera insegurança. E esta apenas gera mais incerteza. O líder não é um super-herói. O difícil parece ser admiti-lo.

É uma combinação fatal: incerteza e insegurança. A primeira, turva a direcção. A segunda, bloqueia a acção. Ambas atropelam-se sucessivamente. "De certeza que não há, neste País, gestor que esteja a ser capaz de dormir muito tranquilo. Com tanta incerteza, ninguém poderá estar seguro de que a sua empresa está no bom caminho", acredita Teresa Roseta.

Recentemente, a psicóloga recebeu na sua caixa de correio electrónico um pedido de ajuda de um líder de uma empresa nacional. "Estou com algumas dificuldade. Pode passar cá ao final do dia?". O caso está longe de ser isolado. "A auto-confiança de gestores e decisores está abalada. Muitos estão a pedir apoio", revela.

"Esta crise tem contornos diferentes de outras anteriores. O valor da confiança foi irremediavelmente abalado e, quando se abala a confiança, abala-se a estrutura do ser humano", analisa.

A dificuldade em decidir parece estar em cima de muitas mesas. É legítimo que assim seja. "O problema é que, a quem lidera está a associada a ideia do super-herói, preparado para tudo e sempre com respostas", diz Maria João Martins, sócia da MyChange, consultora que trabalha na área da gestão da mudança. "E devido a algum provincianismo que ainda temos em Portugal, as pessoas têm imenso receio em expor as suas fragilidades", acrescenta Teresa Roseta. A solução, aconselham, deverá residir na autenticidade que resulta na partilha e no envolvimento que faz com que lideres e liderados trabalhem em conjunto para procurar caminhos.

"Eu até aceito que quem está acima não tenha respostas, mas não entendo porque é que não se assume um discurso honesto que envolva as equipas na procura de soluções, ao invés de se fingir que se tem as respostas, quando é óbvio que tal não é verdade. O líder apenas fica descredibilizado", aponta Rui.

"As pessoas no topo têm que aprender a aceitar melhor as suas vulnerabilidades e fragilidades emocionais. Se lidarmos com os nossos sentimentos de forma mais inteligente, mais facilmente descobrimos em nós os recursos que nos ajudam a seguir em frente, mantendo a serenidade, mesmo sabendo que, cada vez menos, dominamos todas as variáveis. Só não sei se muitas das pessoas que estão à frente das organizações estão preparadas...", diz Teresa Roseta.


Pessimismo no topo

Um encontro de quadros desastroso

"Um amigo meu, com um cargo de responsabilidade relevante, contou-me que participou, no Outono, num encontro de quadros da sua empresa. Era altura para fazer o balanço do ano. A experiência foi tão negativa, de discursos tão pesados, de visões do futuro tão negras, que ele ficou com vontade de desistir, de voltar para casa e enfiar-se na cama, exausto pela falta de inspiração". A história é contada por Maria João Martins, psicóloga de formação e umdas das sócias da MyChance, consultora de apoio à gestão da mudança. "Nos tempo que correm, em que os níveis de ansiedade subiram, este tipo de comportamentos incitados por líderes são criminosos, pois ao não estarem a ser capazes de comunicar de forma positiva, estão a contaminar toda a estrutura de trabalho. E, se todos pararmos, a casa vem abaixo", defende. É certo que a dificuldade de visionar em frente pode levar a uma menor capacidade para tomar decisões. É legítimo. Por isso, "a consciência de uma certa autenticidade é um bom caminho para quem lidera", aconselha a consultora.

15 sinais que nos devem fazer ficar alerta
1. Variações de humor (picos de alegria e tristeza)

2. Perturbações de sono (insónias e/ou sono agitado)

3. Explosões emocionais (irritabilidade fácil)

4. Dificuldades de concentrar a atenção (planear e organizar)

5. Dificuldade de decisão

6. Crises de choro desajustadas

7. Excesso de sensibilidade emocional

8. Diminuição do interesse e do entusiasmo

9. Medo de falhar e sensação de "não ser capaz"

10. Sensação de fadiga persistente

11. Isolamento (não apetece sair ou conviver)

12. Sentimento de culpa e/ou inutilidade

13. Dores de cabeça persistentes

14. Perturbações alimentares (apetite diminuído ou bulimia)

15. Ameaças de desistência
Fonte: Teresa Roseta, MQI "

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default Pessimista ou Realista?

Mensagem por PortugalOnLine em Seg Jan 19, 2009 8:28 pm

Antes de tudo, os meus parabéns pelo "retrato fiel" do estado do País.
Concordo e subscrevo inteiramente a opinião realista do Jotace que se revelou excelente na forma de exposição das suas ideias.
Não será fácil acrescentar algo de novo a esta triste realidade que se vive em Portugal.
-Á uns anos atrás quando aderimos ao Euro, logo no primeiro mês eu afirmei, atenção que tudo está mais caro e os ordenados em Portugal não estão equiparados á média Europeia.
Aderimos aos custos de pertencer a uma Comunidade Europeia, mas ficamos por aí, só com Custos acrescidos e nada de Mais - Valias.
Depois foram os milhões de euros que tivemos á disposição a taxas de juros "baratas" e uma parte a Fundo perdido que não soubemos aproveitar, quer em formação dos portugueses, quer em modernização de equipamentos fabris, ou criação de novas empresas e postos de trabalho.
Antes pelo contrário, dos poucos fundos utilizados, colocados á disposição de Portugal pela Comunidade Europeia, grande parte foram mal utilizados ou "desviados" para aquisição de grandes casas luxuosas e carros Top de gama e nada de investir na formação e no Povo.
Claro hoje pagamos essa factura dessas vigarices, estamos mal preparados profissionalmente para competir com paises até chamados de "terceiro mundo", quer a nível de productividade, quer a nível de exportação/preço.
As empresas abrem falência, despedimentos em massa porque não conseguem competir e vender, e como eu afirmava antes, Portugal ou vive do que temos para oferecer que são Serviços e Turismo ou então, continuamos a ser "pagos" por subsidios vindos da CEE, para consumirmos a batata espanhola por exemplo.
- Por outro ponto de vista, já nós Portugueses estamos á muito tempo a viver de Ilusão/Crédito.
Vivemos de crédito ao consumo, com cartões de crédito com taxas em que nem reflectimos, ao utilizarmos, oferta de cartões de crédito em tudo o que é "canto e esquina".
- São as contas-ordenado nos Bancos com disponibilização do ordenado antes do patrão pagar;
- São os créditos para compra de carros quer em 1ª mão, quer em 2ª.
- São os créditos á habitação

- CRÈDITO - CRÈDITO - CRÈDITO

Mas os créditos tem que ser liquidados um dia, e creio que os portugueses cada vez mais se vão endividando num círculo vicioso, em que se fazem créditos para pagar outros créditos.... isto até a Bola estoirar!

Acabo por nem precisar de relatórios para confirmar a Crise, assisto-a no meu dia a dia, já a previ á muito tempo, não seja á toa que as unicas empresas em Portugal que apresentam lucros são os Bancos ou os postos de trabalho que se geram são os das tais empresas de crédito fácil.
Temos que ser realistas, mesmo que nos acusem de pessimistas, não é por não falarmos da Crise que ela desapareçe.
Estamos a pagar a factura de erros, mas continuamos a errar todos os dias, a agir a pensar apenas no presente, no imediato e esquecemos que existe sempre um amanhâ.
Passam-se muitas coisas graves em termos sociologicos em Portugal, é a precariedade de emprego dos nossos jovens, são as empresas de subcontratação de serviços que proliferam em todo o país com pessoas em regime temporário de trabalho, é um escusar-se ás responsabilidades constantes com os portugueses a todos os níveis.
São as empresas que fecham por falência e deixam milhares de portugueses na faixa etária dos 40 aos 50 anos desempregados, e com dificuldades acrescidas de voltarem a ingressar no mundo laboral.
Somos pessimistas?
Não, somos é realistas!
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Mensagem por Pacencia em Ter Jan 20, 2009 5:50 pm

O meu amigo dizia que a felicidade era puder, no final do dia, sentar-se no café com os amigos, ter um bom bate-papo, beber umas cervejas e comer um pratinho de moelas ou uma francezinha.
Na altura fiquei danado com tamanha mesquinhez, mas depois de pensar nisso longamente cheguei à conclusão de que ele tinha razão.
Se conseguirmos que no final do dia o Mundo inteiro se sente à mesa do café, para dois dedos de conversas e petiscar qualquer coisa, teremos ganho os tais mil anos de felicidade

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Mensagem por Pacencia em Qua Jan 21, 2009 7:20 pm

Fala-se, protesta-se, atemoriza-se, enterra-se a cabeça na areia, explode-se de raiva, mas continuamos a chafurdar na mesma lama. Mais ou menos consistente e nos deixa mais estáveis, mais ou menos pastosa e sujeito a escorregadelas e tombos.
Estamos em crise. Económica, financeira, de empregos, falta de iniciativa, tolhimento geral, valores, o diabo ou quatro, enfim…
Ainda ninguém se lembrou que poderá ser o sistema capitalista, a economia de mercado que está nas lonas?
Tenho como certeza, desculpem a ingenuidade, que estes sistemas não estão cá para levar o homem à sua realização pessoal nem para tornar este mundo melhor. E os frutos que aquilatam a qualidade da árvore são cada vez mais podres.
Não estará na altura mudar desde a raiz até aos copos?
Estamos na pré-história das ciências da terra, do conhecimento do homem, da Tecnologia, das ciências sociais e de tudo o resto. São apenas 50 anos de um mundo como o concebemos agora…
Mas neste tempo descobriu-se e disseram-se coisas que se as juntassem num livro sagrado e as fizessem cumprir o caminho para realização pessoal e um mundo melhor tomaria, seguramente, um rumo completamente diferente.
No entanto, são contra o sistema, actualmente, estabelecido.
Descobriu-se, como se não fosse um conhecimento com milénios de existência, que o melhor período de criatividade é quando não se tem objectivos ou prazos, ou seja, quando se faz nada. A terceira idade começou a ser aproveitada pelas empresas americanas para isso mesmo: sem compromissos, rondam pela empresa, assistem a reuniões, tomam parte na vida diária e se tiverem uma ideia luminosa a empresa agradece. E não é que elas aparecem?
Chegou-se à conclusão que a soneca depois de almoço quase só traz proveitos: no rendimento e na saúde, física e mental. Sabe-se que a cooperação é muito mais criativa e produtiva do que a competição. Que o trabalho dentro da vocação pessoal é um factor essencial para a realização pessoal e para atingir o sucesso (o que é isso?) individual facilmente. Que o conjunto das realizações pessoais é q leva à realização dos objectivos globais e não o contrário.
Então porque teimamos em remar contra maré? Contra os homens? Contra todos os valores positivos?
Dizia um economista duas décadas atrás que estávamos a criar grandes empresas com pés de barro. Falava das grandes multinacionais que, no intuito de dar aos accionistas grandes ganhos e dar uma imagem de solidez, distribuíam 80% dos lucros por eles e os restantes era para investir na empresa para a manter e a modernizar. Ora, como concluiu, isso não daria bons resultados como é visível actualmente. E estamos agora a sofrer na pele essa política. Não só pelo processo natural dessa política mas ainda se juntam as falcatruas dos gananciosos, cada vez mais descarados.
Faz-se fortunas à custa das pessoas que são a base de toda a economia: o simples trabalhador.
É irrelevante se o trabalho é um factor de crescimento pessoal ou não, está ali para gerar dinheiro e tudo se faz pela causa. O descontentamento, a doença que cria, física e psíquica, a desvalorização (des)humana não são aqui chamadas. O lucro é tudo.
Em condições perfeitamente desumanas se criam grandes centros comerciais e industriais que fazem fortunas a uns quantos e destrói a maioria.
Há profissões sobrevalorizadas como se pudessem viver sem as outras. O que faria o Sr. Engenheiro sem o trolha e o homem do lixo? E ainda por cima acabam com as vocações pessoais (adorava ser agricultor mas médico é que está a dar dinheiro). Decide-se a vida pelos rendimentos futuros. Quantos peritos perdemos em todas as áreas do trabalho e lazer humano por causa desta mentalidade? «A sua vocação está virada para a música mas será melhor escolher outra profissão porque essa não alimenta a família».
10% da população mundial é dona e senhora dos outros 90 e está-se marimbando para a sua sorte ou realização. Basta olhar o panorama.
Às vezes apetece-me desistir de tudo: o que está em causa é uma mudança radical de mentalidade. Isso é um trabalho hercúleo. Incutir nestas cabeças, que o sistema está a cair de podre e que é preciso cada pessoa mudar individualmente a mentalidade para que resulte na mudança geral, é um trabalho brutal.
Temos uma educação que premeia os melhores e esquece os outros. Tentam-se esquemas fabulosos para melhorar as estatísticas mas esquecemos as pessoas.
Ninguém está interessado em eduquere (termo latinório que explica todo o sentido do termo educar) aqueles seres que pululam nas escolas. Conhecê-los, para melhor os incentivar a curiosidade pelas diversas matérias e a fazer crescer a sua vocação; trabalhar com eles para muni-los com boas ferramentas de sucesso; desenvolver as capacidades de cada um e não as capacidades mais rentáveis.
Estão interessados nos bons alunos, nos médios alunos e, quase diria, desprezam os fracos e os maus alunos. Como se de gente não se tratasse.
Não há maus alunos. Há, isso sim, há alunos interessados noutros assuntos. Mas mais ninguém se interessa.
Estamos habituados a «hiroizar» o primeiro lugar e a relegar para o puro esquecimento ou desprezo o segundo lugar e restantes. Veja-se o futebol. Fazemos o mesmo com as pessoas. Na escola e na empresa na vida.
Assim não vamos lá.
Abro aqui um parêntesis.
O aluno estava completamente absorto da vida, das aulas, da escola. Nem me dava uma hipótese de lhe incutir alguma curiosidade pela matéria. Perguntei-lhe: Então que estás aqui a fazer? Resposta: estou à espera de ir para a tropa. Ironicamente lhe disse: Enquanto esperas podias aprender a funcionar com isto. Resposta: não se canse professor que eu também não. O diálogo continuou nesta base. E continuou pelo resto do ano. Via-o entrar e a sentar-se à beira da janela para ver a paisagem. Todo o conselho já tinha desistido dele: entre notas de 1 e 2 às disciplinas gerais e específicas e 14 a 18 às disciplinas técnicas, ninguém o conseguia interessar pelo que ele não quisesse.
Um dia a conversa na aula resvalou para agricultura e afins. Para surpresa minha, virou o olhar para a turma e com um brilhozinho nos olhos começou a dissertar sobre tratamento de terras, tempo das colheitas, culturas biológicas, regas, enfim… Falou com o coração na boca e espantou meio mundo com a afeição que falava do assunto; confessou que passava o tempo livre nos campos da aldeia a ajudar quem lá estivesse. «Estás na escola errada!!!» disse eu. Respondeu: «Essas escolas estão muito longe e não temos dinheiro para isso». Passei a vê-lo com olhos completamente diferentes.
Fecha parêntesis.
Enquanto não iniciarmos o Primado do Homem estaremos sujeitos a todo o tipo de crises. Maiores, a varrer o mundo inteiro, menores, a varrer o país, sem crise, a varrer sempre os desafortunados, os indiferenciados e diferenciados, os medianos os medíocres e os maus, os desafinados da vida que foram julgados e condenados, colocados em prateleiras, para não estorvarem a senda do sucesso, pelos «vencedores da vida».
Quando esse primado se instalar garanto o tal dito sucesso de todos e cada um dos terráqueos. Trabalharemos em equipa e ninguém ficará para traz mas ninguém mesmo. Todos, mas todos mesmo, serão excelentes em alguma coisa. E será fundamental a contribuição de cada pessoa para o verdadeiro sucesso. Não haverá excedentários, será um conceito arcaico. Se calhar não haverá desemprego nem emprego mas trabalhos para realizar em prol do bem comum que afinal se transformou em individual.
Muitas crises aparecerão e desaparecerão enquanto não virarmos do avesso as mentalidades e os comportamentos. Serão maiores e menores. Influenciarão o planeta globalmente e não só alguns ricos ou alguns pobres. Atacarão, de certeza, o ecossistema porque não há mais maneira de evitar a globalidade.
Trabalhemos como um corpo humano. Afinal este é o grande exemplo de sociedade perfeita… ou quase. Poder-se-ia dispensar algum órgão ou alguma célula? (quando e cérebro se armou em reizinho os intestinos fizeram greve. Estão a imaginar?) As crises existem mas entra todos rapidamente a resolvem. E se as outras grandes unidades mantiverem um equilíbrio estável menos crises aparecem.
Haja Pacencia




Ps: não li duas vezes

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Mensagem por Cristina em Qui Jan 22, 2009 1:32 am

scratch

Começo por dizer que ando a acompanhar o desenrolar deste tema há varios dias, e como disse hoje a alguem quanto mais leio mais penso que não devia comentar... ou dar a minha humilde... e quem sabe, polémica opinião.
Com isto não quero dizer que tenha mudado em algo o meu modo de pensar ou de "ver" o assunto, claro que não, mas pelo simples motivo que me sinto uma ignorante no meio de tantas pessoas tão bem informadas e com um modo de exprimir ideias que eu não tenho.
Mas como eu penso que a liberdade é isso mesmo, um debater de ideias e pontos de vista, sabendo melhor ou menos melhor escolher as palavras certas... cá vai a minha humilde opinião sobre o "Ai Portugal, Portugal...


Todos os dias ouço falar da crise, nos jornais na televisão, não só em Portugal mas por todo o Mundo(mas vou-se referir só a Portugal). Não tenho a menor dúvida da sua existência... Quantas centenas de pessoas perdem os seus empregos por dia? Quantas familias perdem suas casas por nao conseguirem suportar as elevadas taxas de juro? Quantas familias perdem seus carros? Sinceramente não sei esses numeros ao certo mas não tenho dúvida que sao bastantes...

O perder o emprego pode-se "culpar" o "sistema" pode-se culpar o governo...

Perder a casa culpam-se os bancos, culpam-se as elevadas taxas de juros...

Perder o carro... quem se pode culpar?

Dá sempre jeito culpar os outros... Porque não começar a pensar se os culpados não seremos nós... Exigimos tudo e mais alguma coisa porque achamos que temos direito...

Perdemos a casa porque todo o Portugues tem quem possuir casa própria...

Perdemos o carro porque temos que ter sempre o topo de gama de uma marca que preferimos...

Somos orgulhosos de mais... temos que manter sempre o status... temos que ter tudo o que os nossos vizinhos têm, sem pensarmos bem se o poderemos ter ou não...

Crise? Onde está a crise? (não vivo em Portugal) Quando vou a Portugal nas nossas estradas vejo cada ano mais carros de alta cilindrada, ultimos modelos, mesmo meus familiares e amigos... do meu circulo de conhecimentos mesmo com empregos precários não conheço quem não possua casa própria...

O que me parece impossivel é como é possivel com tão baixos ordenados ainda conseguem suportar tantas despesas...
É facil... é crédito para a casa... é crédito para o carro... é credito para férias... é credito para o Natal... Daqui a pouco tambem é crédito para pagar o crédito que não se pode pagar.
Os portugueses afinal já não sabem viver sem créditos. Será que não se apercebem que cada vez mais têm a corda ao pescoço?

Crise? A crise existe claro... mas ela é um fruto dos comportamentos irresponsáveis de cada um de nós... e sem exepções...




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Mensagem por Jotace em Sex Fev 13, 2009 3:53 pm

Claro que não se deve inibir de participar, cara Crismar. E desculpe só lhe estar a responder agora. Smile

A culpa da sobredimensionada qualidade de vida do Português, baseada em optimistas expectativas futuras (ou , muitas vezes, a absoluta ausência delas, que nos leva apenas a querer viver o presente, e o resto que se lixe), é em grande parte do próprio sistema financeiro, e da exacerbação publica, oficial, e até estatal, do espirito consumista do "usufrua já, e pague depois". Há de facto muita gente neste país que não sabe fazer as contas mais básicas, e que se deixou lobotomizar pela incessante propaganda consumista, desde as casas aos bens mais acessiveis. Não há nada de errado em desejar um nivel de vida superior ao dos nossos pais. É perfeitamente legitimo, especialmente se o nossos governantes e os mestres da manipulação do consumo nos andaram a 'vender' a ilusão de que agora Portugal estava na maior, é um país europeu, da classe dos 'grandes', e se os habitantes desses paises podem ter, nós tambem podemos e merecemos.
É claro que a maioría do povo irá acreditar nisto, certo? E é isso que nos arruína, precisamente! O nosso povo foi institucionalmente iludido durante anos a fio! E mesmo agora, que os numeros e os indicios apontam para o desastre total, os nossos governantes continuam a vender-nos, até ao ultimo minuto, a ideia de que isto não está tão mau como parece. Até que, finalmente, aparecem os tais numeros oficiais, trágicos, indesmentiveis, que andaram escondidos o máximo de tempo possivel, e dos quais eu já falava há cerca de um mês atrás, quando iniciei este tópico:

(noticia de hoje)


"Pior desempenho em 25 anos

Quebra da economia portuguesa foi a mais forte desde 1984

-------------------------------------
Jornal de Negócios Online

negocios@negocios.pt


A queda de 2% no produto interno bruto português (PIB) no quarto trimestre, face aos três meses anteriores, foi a mais intensa desde o primeiro trimestre do ano de 1984, altura em que o FMI teve que intervir.

O PIB recuou 2,1% em termos homólogos e 2% contra o terceiro trimestre do ano passado. Esta queda na evolução em cadeia do PIB português é a mais grave desde os primeiros três meses de 1984.

Essa contracção ocorreu na sequência da última intervenção do FMI na economia portuguesa, devido à crise de 1983.



É claro que logo a seguir vieram os nossos manda-chuvas mostrar-se muito surpreendidos com a gravidade dos numeros, dizendo que não esperavam tanta desgraça, e tal... O CARAÇAS! Estavam fartinhos de saber, como sempre souberam antes, mas continuam a tentar atirar areia para os olhos do pessoal. Sim, na Europa tambem correu mal. Mas... o nosso foi o terceiro pior valor de toda a UE. E os outros, que cairam tanto ou mais do que nós, cairam da varanda do 3º andar para a varanda do 2º. Nós, nunca tinhamos conseguido passar do 1º andar, e agora estatelámo-nos no chão. A partir daqui, é preciso cavar para descer mais abaixo.



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Mensagem por WiseMax em Qua Mar 18, 2009 3:44 pm

Acho que o comentário da Cristina (sem ser uma análise) aponta para o problema de base - que tem muito a ver com a organização do tecido social, a "formatação" para o consumo e a competição da qual os media são um vector essencial e a ilusão de facilidade criada e mantida pelos usurários (bancos e empresas de crédito).

Há um vicioso apresentar da "felicidade" como a posse de coisas. E as pessoas compram a ideia... porque não têm outras.

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Mensagem por Cibernauta em Qua Mar 18, 2009 4:23 pm

"Há um vicioso apresentar da "felicidade" como a posse de coisas. E as pessoas compram a ideia... porque não têm outras"
Já a muito tempo que nao lia uma observação tão oportuna e realista, parabens.
Creio que a verdadeira crise está no sentimento da posse esterotipado que ter coisas trás felicidade e bem estar.
Incentiva-se a produzir o que não é essencial e incentiva-se a adquiri-lo, quando a crise está na nossa agricultura abandonada, na nossa dependência das importações e mais grave incentivar as grandes empresas estrangeiras a establecer-se em Portugal com a ilusão que vão criar postos de trabalho, quando vêm é a procura de novos consumidores para o que produzem, a preços baixos de exploração da mão de obra humana.
A crise está nas exportações de money money que fazemos para os ditos Países mais Inteligentes isso sim!
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Mensagem por Jotace em Qua Mar 23, 2011 7:16 pm

olha... outro! Mais um capitulo do livro do Apocalipse, escrito há 2 anos. Aqui reparei que me enganei nas previsões de uma espiral deflaccionista. Estava errado. É curioso como já me tinha esquecido de tudo isto. É da esclerose... Laughing
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